Defesa de Dissertação da Mestranda Maria Laura Enzele

21/03/2025 12:00

O Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária Convencional e Integrativa (PPGMVCI) convida toda a comunidade acadêmica para prestigiar a sessão de defesa de dissertação da mestranda Maria Laura Enzele.

Título: Efeito da trazodona na sedação de cães

Resumo: O cloridrato de trazodona é um antidepressivo atípico que entrou em uso clínico, para cães e gatos, com uma variedade de indicações. Dentre elas, está a redução de transtornos de ansiedade, facilitação de viagens e visitas aos estabelecimentos veterinários, redução do estresse em períodos de hospitalizações, e ainda sugere-se que seu uso pré anestesia, colabore para a redução do requerimento anestésico. O presente estudo objetivou avaliar a influência do uso da trazodona obre escores de sedação, escores de facilidade de cateterização venosa, intubação orotraqueal e dose para indução anestésica, quando administrada em casa (TC) ou em ambiente hospitalar (TE), em cães pré-medicados com metadona. Esse foi um estudo clínico prospectivo, randomizado e encoberto. Vinte e quatro cadelas saudáveis, de diferentes raças, com 39 ± 17,86 meses, 12, 05 ± 9,76 kg, com indicação de ovariohisterectomia eletiva, foram randomizadas em dois tratamentos. No tratamento casa (TC), receberam 7,77 ± 1,28mg/kg de trazodona, via oral, em ambiente domiciliar, e após uma hora foram levadas até a clínica escola. O tratamento clínica escola (TE), recebeu 7,86 ± 0,65mg/kg de trazodona, via oral, na clínica escola. Todos os pacientes foram pré medicados com Metadona 0,3 mg/kg, por via intramuscular, após uma hora e vinte minutos da administração da trazodona. Foram induzidos com propofol, por via intravenosa, na dose de 2mg/kg/min, com bomba de seringa, mantidos em sistema compatível com seu tamanho, em anestesia inalatória com Isofluorano, em dose-efeito. Os animais receberam bloqueio locorregional através de splash block com Lidocaína na dose de 5 mg/kg. A sedação foi avaliada através da escala de Wagner et al. (2017) e escala numérica descritiva (END), a facilidade de inserção do cateter intravenoso foi avaliada através da escala adaptada de Bortolami et al. (2015) e a facilidade de intubação foi avaliada através da escala descritiva para intubação (EDI) adaptada de Lerche et al. (2002), o volume de propofol para indução foi anotado para posterior análise. Os momentos avaliados foram: no momento da triagem do paciente – basal (M0), após uma hora e vinte minutos da administração da trazodona (M1), após 15 minutos da aplicação da Metadona (M2). As variáveis passaram pelo teste de normalidade (Shapiro-Wilk). Variáveis com distribuição normal foram avaliadas por Análise de Variância seguida de Tukey. Variáveis com distribuição não-normal foram avaliadas por Mann Whitney seguido de Bonferroni. As diferenças significativas foram consideradas quando p<0,05. Não houve diferença significativa entre grupos no somatório das avaliações da escala de Wagner et al., 2017, bem como na escala descritiva simples de sedação. Houve diferença significativa (P=0,0478) na avaliação da facilidade de cateterização venoso, onde o TE obteve pontuação mais alta que o TC, sugerindo um benefício na administração da trazodona em ambiente domiciliar, quando se trata de facilidade de cateterização venosa. Não houve diferença significativa entre grupos na facilidade de intubação orotraqueal, nem na dose de propofol para indução. Concluímos que o local da administração da trazodona, não altera o grau de sedação e o volume de propofol para indução anestésica, contudo, a administração da trazodona em ambiente domiciliar, propicia maior facilidade de inserção de cateter venoso.